Título:
A língua brasileira de sinais.
Autor:
Tanya Felipe
Este
material foi adaptado pelo Laboratório de Acessibilidade da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte, em conformidade com a Lei 9.610 de 19/02/1998,
não podendo ser reproduzido, modificado e utilizado com fins comerciais.
Adaptado
por: Ana Carolina
Imagens
descritas por: Ana Carolina
Adaptado
em: outubro de 2024.
Padrão
vigente a partir de janeiro de 2024.
Observações:
Na página 27, existe um erro ortográfico onde se lê direto, ler-se direito.
As
páginas desse livro estão desencontradas e não seguem uma sequência correta de
páginas, o mesmo foi adaptado conforme está no original disponibilizado pelo
professor.
Referência: FELIPE. Tanya.
Libras em contexto: curso básico: Livro do Estudante In: FELIPE. Tanya. A língua brasileira de sinais. 8 ed. Rio de janeiro. Walprint
Gráfica e editora, 2007.
P. 20
2 INTRODUÇÃO
A Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS
Muitas
pessoas acreditam que as línguas de sinais são somente um conjunto de gestos que
interpretam as línguas orais.
Pesquisas
sobre as línguas de sinais vêm mostrando que estas línguas são comparáveis em
complexidade e expressividade a quaisquer línguas orais. Estas línguas
expressam idéias sutis, complexas e abstratas. Os
seus usuários podem discutir filosofia, literatura ou política, além de
esportes, trabalho, moda e utilizá-la com função estética para fazer poesias,
contar estórias, criar peças de teatro e humor.
Como
toda língua, as línguas de sinais aumentam seus vocabulários, com novos sinais
introduzidos pelas comunidades surdas, em resposta às mudanças culturais e
tecnológicas, assim a cada necessidade surge um novo sinal desde que ele se
torne aceito, sendo utilizado pela comunidade.
Acredita-se
também que somente existe uma língua de sinais no mundo, mas assim como as
pessoas ouvintes em países diferentes falam diferentes línguas, também as
pessoas surdas por toda parte do mundo, que estão inseridas em “Culturas
Surdas”, possuem suas próprias línguas, existindo, portanto muitas línguas de
sinais diferentes, como: Língua de Sinais Francesa, Chilena, Portuguesa,
Americana, Argentina, Venezuelana, Peruana, Portuguesa, Inglesa, Italiana,
Japonesa, Chinesa, Uruguaia, Russa, Urubus-Kaapor,
citando apenas algumas. Estas línguas são diferentes umas das outras e
independem das línguas orais-auditivas utilizadas nesses e em outros países,
por exemplo: O Brasil e Portugal possuem a mesma língua oficial, o português,
mas as línguas de sinais destes países são diferentes, o mesmo acontece com os
Estados Unidos e a Inglaterra, ENTRE OUTROS. Também pode acontecer que uma
mesma língua de sinais seja utilizada por dois países como é o caso da língua
de sinais americana que é usada pelos surdos dos Estados Unidos e do Canadá.
Embora
cada língua de sinais tenha sua própria estrutura gramatical, surdos de países
com línguas de sinais diferentes comunicam-se com mais facilidade uns com os
outros, fato que não ocorre entre falantes de línguas orais, que necessitam de
um tempo bem maior para um entendimento. Isso se deve à capacidade que as
pessoas surdas têm em desenvolver e aproveitar gestos e pantomimas para a
comunicação e estarem atentos às expressões faciais e corporais das pessoas e
devido ao fato dessas línguas terem muitos sinais que se assemelham às coisas
representadas.
No
Brasil, as comunidades surdas urbanas utilizam a Libras, mas além dela, há
registros de uma outra língua de sinais que é utilizada pelos índios Urubus-Kaapor na Floresta Amazônica.
Muitas
pessoas creditam que a Libras é o português feito com as mãos, na qual os
sinais substituem as palavras desta língua, e que ela é uma linguagem como a
linguagem das abelhas ou do corpo, como a mímica. Entre as pessoas que
acreditam que a Libras é realmente uma língua, há algumas que pensam que ela é
limitada e expressa apenas informações concretas, e que não é capaz de
transmitir idéias abstratas.
Esses
mitos precisam ser desfeitos porque a Libras, como toda língua de sinais, é uma
língua de modalidade gestual-visual que utiliza, como canal ou meio de
comunicação, movimentos gestuais e expressões faciais que são percebidos pela
visão; portanto, diferencia da Língua Portuguesa, uma língua de modalidade
oral-auditiva, que utiliza, como canal ou meio de comunicação, sons articulados
que são percebidos pelos ouvidos. Mas as diferenças não estão somente na
utilização de canais diferentes, estão também nas estruturas gramaticais de
cada língua
P. 21
Embora
com as diferenças peculiares a cada língua, todas as línguas possuem algumas
semelhanças que a identificam como língua e não linguagem como, por exemplo, a
linguagem das abelhas, dos golfinhos, dos macacos, enfim, a comunicação dos
animais.
Uma
semelhança entre as línguas é que todas são estruturadas a partir de unidades
mínimas que formam unidades mais complexas, ou seja, todas possuem os seguintes
níveis linguísticos: o fonológico, o morfológico, o sintático e o semântico.
No
nível fonológico estão os fonemas. Os fonemas só têm valor contrativo, não têm significado,
mas, a partir das regras de cada língua, eles se combinam para formar os
morfemas e estes, as palavras.
Na
língua portuguesa, por exemplo, os fonemas /m//n//s//a//e//i/ podem se combinar
e formar a palavra meninas.
No
nível morfológico, esta palavra é formada pelos morfemas {menin-)
{-a) {-s}. Diferentemente dos fonemas, cada um destes morfemas tem um
significado: {menin-} é o radical desta palavra e
significa "criança", "não adulto"; o morfema {-a) significa
"gênero feminino" e o moderna {-s} significa 'plural''.
No
nível sintático, esta palavra pode se combinar com outras para formar a frase,
que precisa ter um sentido e coerência com o significado das palavras em um
contexto, o que corresponde aos níveis semântico (significado) e pragmático
(sentido no contexto: onde está sendo usada) respectivamente. Assim o nível
semântico permeia o morfo-sintático.
Outra
semelhança entre as línguas é que os usuários de qualquer língua podem
expressar seus pensamentos diferentemente, por isso uma pessoa que fala uma
determinada língua utiliza essa língua de acordo com o contexto, portanto o
modo de se falar com um amigo não é igual ao de se falar com uma pessoa
estranha; assim, quando se aprende uma-língua está aprendendo também a
utilizá-la a partir do contexto.
Outra
semelhança também é que todas as línguas possuem diferenças quanto ao seu uso
em relação à região, ao grupo social, à faixa etária e ao gênero. O ensino
oficial de uma língua sempre trabalha com a norma culta, a norma padrão, que é
utilizada na forma escrita e falada e sempre toma alguma região e um grupo
social como padrão.
Ao
se atribuir às línguas de sinais o status de língua é porque elas, embora sendo
de modalidade diferente, possuem também estas características em relação às
diferenças regionais, sócio-culturais, entre outras,
e em relação às suas estruturas porque elas também são compostas pelos níveis
descritos acima.
O
que é denominado de palavra ou item lexical nas línguas orais-auditivas, são
denominados sinais nas línguas de sinais.
Os
sinais são formados a partir da combinação do movimento das mãos com um
determinado formato em um determinado lugar, podendo este lugar ser uma parte
do corpo ou um espaço em frente ao corpo. Estas articulações das mãos, que
podem ser comparadas aos fonemas e às vezes aos morfemas, são chamadas de parâmetros,
portanto, nas línguas de sinais podem ser encontrados os seguintes parâmetros:
•
Configuração da (s) mão (s): é a forma da (s) mão (s) presente no sinal. Nas
libras há 64 configurações. Elas são feitas pela mão dominante (mão direita
para os destros), ou pelas duas mãos dependendo do sinal. Veja o quadro de
configurações (pág. 28) e o quadro do alfabeto manual (pág. 29) que é formado
por algumas dessas configurações para representar as letras (grafemas) da
língua portuguesa. Os sinais APRENDER, LARANJA e DESODORANTE-SPRAY têm a mesma
configuração de mão e são realizados na testa, na boca e na axila,
respectivamente. Exemplos:
P. 22
Movimento:
os sinais podem ter um movimento ou não. Os sinais citados acima têm movimento,
como também os sinais RIR, CHORAR e CONHECER, mas AJOELHAR e EM-PÉ não têm
movimento. Exemplos:
Têm movimento
Não têm movimento
P. 23
Na combinação destes quatro
parâmetros, ou cinco, tem-se o sinal. Falar com as mãos é, portanto, combinar
estes elementos para formarem as palavras e estas formarem as frases em um
contexto.
P. 24
Para
conversar, em qualquer língua, não basta conhecer as palavras e articulá-las
adequadamente, é preciso aprender as regras gramaticais de combinação destas
palavras em frases e serão estas regras gramaticais que iremos ver aos poucos
em cada unidade desse livro.
As
línguas de sinais têm características próprias e por isso vem sendo utilizado
mais o vídeo para sua reprodução à distância. Existem sistemas de convenções
para escrevê-las, mas como geralmente eles exigem um período de estudo para
serem aprendidos, neste livro, estamos utilizando um Sistema de notação em
palavras”.
Este
sistema, que vem sendo adotado por pesquisadores de línguas de sinais em outros
países e aqui no Brasil, tem este nome porque as palavras de uma língua
oral-auditiva são utilizadas para representar aproximadamente os sinais.
Assim,
a Libras será representada a partir das seguintes convenções:
Exemplos: CASA, ESTUDAR,
CRIANÇA.
Exemplos:
Exemplos:
P. 25
Exemplos:
Exemplos:
Na Libras não há desinências para gêneros
(masculino e feminino) e número (plural), o sinal representado por palavra da
língua portuguesa que possui estas marcas, está terminado com o símbolo @ para
reforçar a ideia de ausência e não haver confusão.
Exemplos:
AMIG@ "amiga (s) ou amigo (s) “, FRI@ “fria (s) ou frio (s) *, MUIT®
"muita (s) ou muito (s) ”, TOD@, "toda (s) ou todo (s) ”, EL@
"ela (s), ele (s)", ME@ "minha (s) ou meu (s)";
a- tipo
de frase: interrogativa OU ... i ...
, negativa OU ... neg ...
Exemplos:
P. 26
Para simplificação, serão
utilizados também, para a representação de frases nas formas exclamativas e
interrogativas, os sinais de pontuação utilizados na escrita das línguas
orais-auditivas, ou seja: !, ? e ?!
b
– adverbio de modo ou um intensificador: muito; rapidamente; exp. facial
“espantado”;
Exemplo:
Exemplo:
a –
a variável para o lugar: i = ponto próximo à 1a pessoa,
j =
ponto próximo à 2a pessoa,
K
e k' = pontos próximos à 3a pessoas,
e
= esquerda,
d
= direita;
b-
as pessoas gramaticais: 1s, 2s, 3s = 1a, 2a e 3a pessoas do singular;
1d,
2d, 3d = 1a, 2a e 3a pessoas do dual,
1p,
2p, 3p = 1a, 2a e 3a pessoas do plural;
Exemplos: 1sDAR2s “eu dou para você",
2sPERGUNTAR3p
"você pergunta para eles/elas",
kdANDARk'e "andar da direita (d) para à
esquerda (e)".
P. 27
representada
por uma cruz no lado direto acima do sinal que está sendo repetido:
Exemplo:
11
– Quando um sinal, que geralmente e feito somente com só uma das mãos, ou dois
sinais estão sendo feitos pelas duas mãos simultaneamente, serão representados
um abaixo do outro com indicação das mãos: direita (md)
e esquerda (me).
Exemplos:
Estas
convenções foram utilizadas para poder representar, linearmente, uma língua
gestual-visual, que é tridimensional.
P. 81
No
Mundo
Dos
surdos
Há
pessoas surdas em todos os estados brasileiros e muitas destas pessoas vêm se
organizando e formando associações, pelo país, que são as comunidades surdas
brasileiras. Como o Brasil é muito grande e diversificado, essas comunidades se
diferenciam regionalmente em relação a hábito alimentar, vestuário e situação sócio-econômica, entre outros. Estes fatores geram também
variações linguísticas regionais.
As
Comunidades urbanas Surdas no Brasil têm como fatores principais de integração
a Libras, os esportes e interações sociais, por isso elas têm uma organização
hierárquica constituída por: uma Confederação Brasileira de Desportos de Surdos
(CBDS); seis Federações Desportivas e, aproximadamente, 113
associações/clubes/sociedades/congregações, em várias capitais e cidades do
interior, segundo dados de diretoria da Feneis.
A
CBDS, fundada em 1984, tem como proposta o desenvolvimento esportivo dos surdos
do Brasil, por isso promove campeonatos masculino e feminino em várias
modalidades de esporte em nível nacional. Seus representantes são escolhidos,
através de voto secreto, pelos representantes das Federações. Recentemente esta
Confederação filiou-se à Confederação Internacional e os surdos brasileiros têm
participado de campeonatos esportivos internacionais.
As
associações de surdos, como todas as associações, possuem estatutos que
estabelecem os ciclos de eleições, quando os associados se articulam em chapas
para poderem concorrer a uma gestão de dois anos, geralmente.
Participam
também dessas comunidades, pessoas ouvintes que fazem trabalhos de assistência
social ou religiosa, ou são intérpretes, ou são familiares, pais de surdos ou
conjugues, ou ainda amigos e professores que participam ativamente em questões
políticas e educacionais e por isso estão sempre nas comunidades, tornando-se
membros. Os ouvintes que são filhos de surdos, muitas vezes, participam dessas
comunidades desde criancinhas, o que propicia um domínio da Libras, como de
primeira língua. Estas pessoas, muitas vezes, tornam-se intérpretes: primeiro
para os próprios pais, depois para a comunidade.
Os
surdos, que são membros das associações, estão sempre interagindo com outras
associações de outros estados ou cidade, como também com as Federações, a
Confederação e a FENEIS.
Diferentemente
da CBDS, das Federações desportivas e associações, que se preocupam com a
integração entre os surdos, através dos esportes e lazer, a Federação Nacional
de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS - www.feneis.org.br) é uma.
Entidade não governamental, registrada no Conselho Nacional de Serviço
Social/MEC e não está subordinada à CBDS, sendo filiada a World Federation ôf The Deaf.
A
FENEIS foi fundada em 1987, quando os surdos resolveram assumir a liderança da
Federação
P. 82
Nacional
de Educação e Integração do Deficiente Auditivo (FENEIDA) que surgiu da
iniciativa de várias escolas, Associações de Pais e outras instituições ligadas
ao trabalho com Surdos. Sua sede é no Rio de Janeiro, mas já possui dez
regionais: Belo Horizonte, Teófilo Otoni, Brasília, Porto Alegre, Curitiba,
Florianópolis, São Paulo, Recife, Fortaleza e Manaus.
Atualmente
com mais de 100 entidades filiadas (escolas, APADAs,
institutos e outras instituições), a FENEIS atua como um órgão de integração
dos surdos na sociedade, através de convênios com empresas, instituições que
empregam Surdos, MEC-SEESP, CORDE e SEDUC estaduais e municipais, bem como tem
promovido e participado de debates, seminários, câmaras técnicas, congressos
nacionais e internacionais em defesa dos direitos dos Surdos em relação à sua
língua, à educação, a intérpretes em escolas e estabelecimentos públicos, a programas
de televisão legendados, assistência social, jurídica e trabalhista; como
também tem assento no CONADE para defender os direitos dos Surdos.
Os
surdos que participam dessas comunidades têm assumido uma cultura própria. A
Cultura Surda é muito recente no Brasil, tem pouco mais de cento e vinte anos,
mas convivendo-se com essas Comunidades Surdas, pode-se perceber uma identidade
surda, ou seja, características peculiares, como:
Os
Surdos, que frequentam esses espaços de Surdos, convivem com duas comunidades e
cultura: a dos surdos e a dos ouvintes, e precisam utilizar duas línguas: a
Libras e a língua portuguesa. Portanto, numa perspectiva sociolinguística e
antropológica, uma Comunidade Surda não é um "lugar" onde pessoas
deficientes, que têm problemas de comunicação se encontram, mas um ponto de
articulação política e social porque, cada vez mais, os Surdos se organizam
nesses espaços enquanto minoria linguística que lutam por seus direitos
linguísticos e de cidadania, impondo-se não pela deficiência, mas pela diferença.
Vendo
por esse prisma, pode-se falar de Cultura Surda, ou seja, Identidade Surda. 0
Surdo é diferente do ouvinte porque percebe e sente o mundo de forma
diferenciada e se identifica com aqueles que também, apreendendo o mundo como
Surdos, possuem valores que vêm sendo transmitidos de geração em geração
independentemente da Cultura dos ouvintes, a qual também se inserem.
P. 45
No
Mundo
Dos
surdos
Cultura e Comunidade surdas
A palavra "cultura“
possui vários significados. Relacionando esta palavra ao contexto de pessoas
surdas, ela representa identidade porque pode-se afirmar que estas possuem uma
cultura uma vez que têm uma forma peculiar de apreender o mundo que as
identificam como tal.
STOKOE, um linguista
norte-americano, e seu grupo de pesquisa, em 1965, na célebre obra A Dictionary of American Sign Language on
linguistic principies, foram os primeiros estudiosos
a falar sobre as características socioculturais dos Surdos.
A
linguista surda Carol Padden estabeleceu uma
diferença entre cultura e comunidade. Para ela, " uma cultura é um
conjunto de comportamentos aprendidos de um grupo de pessoas que possuem sua
própria língua, valores, regras de comportamento e tradições"; ao passo
que "uma comunidade é um sistema social geral, no qual pessoas vivem juntas,
compartilham metas comuns e partilham certas responsabilidades umas com as
outras". PADDEN (1989:5).
Para
esta pesquisadora, "uma Comunidade Surda é um grupo de pessoas que mora em
uma localização particular, compartilha as metas comuns de seus membros e, de
vários modos, trabalha para alcançar estas metas." Portanto, em uma
Comunidade Surda pode ter também ouvintes e surdos que não são culturalmente
Surdos. Já "a Cultura da pessoa Surda é mais fechada do que a Comunidade
Surda. Membros de uma Cultura Surda comportam como as pessoas Surdas, usam a
língua das pessoas Surdas e compartilham das crenças das pessoas Surdas entre
si e com outras pessoas que não são surdas."
Mas
ser uma pessoa surda não equivale a dizer que está faça parte de uma Cultura e
de uma Comunidade Surda, porque sendo a maioria dos surdos, aproximadamente
95%, filhos de pais ouvintes, muitos destes não aprendem a Libras e não
conhecem as Associações de Surdos, que são as Comunidades Surdas, podendo
tornarem-se somente pessoas com deficiência auditiva.
As
pessoas Surdas, que estão politicamente atuando para terem seus direitos de
cidadania e linguísticos respeitados, fazem uma distinção entre “ser
surdo" e ser "deficiente auditivo". A palavra
"deficiente", que não foi escolhida por elas para se denominarem,
estigmatiza a pessoa porque a mostra sempre pelo que ela não tem, em relação às
outras e, não mostra o que ela pode ter de diferente e, por isso, acrescentar
às outras pessoas.
Ser
surdo é saber que pode falar com mãos e aprender uma língua oral-auditiva
através dessa, é conviver com pessoas que, em um universo de barulhos,
deparam-se com pessoas que estão percebendo o mundo, principalmente; pela
visão, e isso faz com que elas sejam diferentes e não necessariamente
deficientes.
A
diferença está no modo de apreender o mundo, que gera valores, comportamento
comum compartilhado e tradições sócio interativas, a este modus vivendi está
sendo denominado de Cultura Surda.
P. 112
No
Mundo
Dos
surdos
Os Surdos enquanto Minoria Linguística
Não
se tem registro de quando os homens começaram a desenvolver comunicações que
pudessem ser consideradas línguas. Hoje a raça humana está dividida nos espaços
geográficos delimitados politicamente e cada nação tem sua língua ou línguas
oficiais como, por exemplo, o Canadá que possui a língua inglesa e a francesa.
Os países que possuem somente uma língua oficial são, politicamente,
monolíngues, os que possuem duas são bilíngues e os que possuem mais de duas,
multilíngues.
Mas,
em todos os países, existem minorias linguísticas que por motivo de etnia e/ou
imigração, mantém suas línguas de origem, embora as línguas oficiais dos
países, onde estas minorias coabitam, ou politicamente fazem parte, sejam
outras. Este é o caso das tribos indígenas no Brasil e nos Estados Unidos e dos
imigrantes que se organizam e continuam utilizando suas línguas de origem, como
nos Estados Unidos e na França. Os indivíduos destas minorias geralmente são
discriminados e precisam se tornar bilíngues para poderem participar das duas comunidades.
Pode-se
falar de bilinguismo social e individual, o primeiro é quando uma comunidade,
por algum motivo, precisa utilizar duas línguas, o segundo é a opção de um
indivíduo para aprender outra língua além da sua materna. Geralmente os membros
das minorias linguísticas se tornam indivíduos bilíngues por estarem inseridos
em comunidades linguísticas que utilizam línguas distintas.
Em
todos os países, os Surdos são minorias, linguísticas como outras, mas não
devido à imigração ou à etnia, já que a maioria nasce de famílias que falam a
língua oficial da comunidade maior, a qual também pertencem por etnia; eles são
minoria linguística por se organizarem em associações onde o fator principal de
integração é a utilização de uma língua gestual-visual por todos os associados.
Sua integração está no fato de terem um espaço onde não há repressão de sua
condição, de Surdo, podendo expressarem-se da maneira que mais lhes satisfazem
para manterem entre si uma situação prazerosa no ato de comunicação.
Quando
imigrantes vão para outros países, formando guetos, a língua que levam,
geralmente, é a língua oficial de sua cultura, sendo respeitada, enquanto
língua, no país onde imigram, mas as línguas dos Surdos, por serem de outra
modalidade - gestual-visual - e por serem utilizadas por pessoas consideradas
"deficientes" - por não poderem, na maioria das vezes, expressarem-se
como ouvintes - eram desprestigiadas e, até bem pouco tempo, proibidas de serem
usadas nas escolas e em casa de criança surda com pais ouvintes.
Este
desrespeito, fruto de um desconhecimento, gerou um preconceito e pensava-se que
este tipo de comunicação dos surdos não poderia ser língua e se os surdos
ficassem se comunicando por “mímica", eles não aprenderiam a língua
oficial de seu país. Mas as pesquisas que foram desenvolvidas nos Estados
Unidos e na Europa mostraram o contrário. Se uma criança surda puder aprender a
língua de sinais da sua
P. 11
comunidade
surda à qual será inserida, ela terá mais facilidade em aprender a língua
oral-auditiva da comunidade ouvinte a qual também pertencerá porque nesse
aprendizado que não pode ouvir os sons que emite, ela já trará internalizado o
funcionamento e as. Estruturas linguísticas de uma língua de sinais, a qual
pôde receber em seu processo de aprendizagem um feedback que serviu de reforço
para adquirir uma língua por um processo natural e espontâneo.
Isso
ocorre porque todas as línguas se edificam a partir de universais linguísticos,
variando apenas em termos de sua modalidade (oral-auditiva ou gestual-visual) e
suas gramáticas particulares, transformando-se a cada geração a partir da
cultura da comunidade linguística que a utiliza. Daí é preconceito e
ingenuidade dizer, hoje, que uma língua é superior a qualquer outra, já que
elas enquanto sistemas linguísticos, independem 7 dos fatores econômicos ou
tecnológicos, não podendo ser classificadas em desenvolvidas, subdesenvolvidas
ou, ainda, primitivas.
As
línguas se transformam a partir das comunidades linguísticas que a utilizam.
Uma criança surda precisará se integrar à Comunidade Surda de sua cidade para
poder ficar com um bom desempenho na língua de sinais desta comunidade.
Como
os surdos estão em duas comunidades precisam manter esse bilinguismo social, e
uma língua ajuda na compreensão da outra.
P. 130
No
Mundo
Dos
surdos
Uma Breve Retrospectiva da Educação de Surdos no Brasil (I) [nota1]
O
mais antigo registro que menciona sobre "Língua de Sinais" é de 368 aC, escrito pelo filósofo grego Sócrates, quando perguntou ao
seu discípulo:
"Suponha
que nós, os seres humanos, quando não falávamos e queríamos indicar objetos,
uns para os outros, nós o fazíamos, como fazem os surdos mudos sinais com as
mãos, cabeça, e demais membros do corpo?" [nota2]
Nessa
comunicação de idéias por outros sentidos, a
comunicação se dá através dos olhos nos sinais feitos pelas mãos, expressão
facial, corporal e, às vezes também, sons, tudo simultaneamente ou também seqüenciado e a pessoa precisa ficar atenta a todas essas
expressões para entender o que está se dizendo. Este é o universo de um pessoal
que utiliza uma língua de modalidade gestual-visual.
A
comunicação por sinais foi a solução encontrada também pelos monges beneditinos
da Itália, cerca de 530 d.C., para manter o voto do silêncio. Mas pouco foi
registrado sobre esse sistema ou sobre os sistemas usados por surdos até a
Renascença, mil anos depois.
Até
o fim do século XV, não havia escolas especializadas para surdos na Europa
porque, na época, os surdos eram considerados incapazes de serem ensinados. Por
isso as pessoas surdas foram excluídas da sociedade e muitas tiveram sua
sobrevivência prejudicada. Existiram leis que proibiam o surdo de possuir ou
herdar propriedades, casar-se, votar como os demais cidadãos.
Muitos
surdos foram excluídos somente porque não falavam, o que mostra que, para os
ouvintes; o problema maior não era a surdez, propriamente dita, mas sim a falta
de fala. Daquela época até hoje, ainda muitos ouvintes confundem a
habilidade.de falar.com voz com a inteligência desta pessoa, embora a palavra
"fala" esteja etimologicamente ligada ao verbo/pensamento/ação e não
ao simples ato de emitir sons articulados.
Apesar
desse preconceito generalizado, houve pessoas ouvintes que desenvolveram métodos
para ensinar surdos a língua oral de seu país, como, por exemplo, um italiano
chamado Girólámo Cardano,
que utilizava sinais e linguagem escrita, e um espanhol, monge beneditino,
chamado Pedro Ponce de Leon, que utilizava, além de sinais, treinamento da voz
e leitura de lábios.
Entre
estas pessoas que começaram a educar os. Surdos, algumas acreditaram que a
primeira etapa da educação deles devia ser um ensino da língua falada, adotando
uma metodologia que ficou conhecida como "método oralista
puro". Outras utilizaram a língua de sinais, já conhecida pelos alunos,
como meio para o ensino da fala, foi o chamado "método combinado".
Entre
os adeptos da segunda proposta, estavam os professores Juan Rabio Bonet, da Espanha; o Abbé Charles Michél
de Epee, da França; Samuel Heinicke
e Moritz Hill, da Alemanha; Alexandre.
P. 131
Graham
Bell, nascido na Escócia, mas que morou no Canadá e nos Estados Unidos; e Ovide Decroiy, da Bélgica.
Destes
Professores, o mais importante, do ponto de vista do desenvolvimento da língua
de sinais brasileira, foi I'Epee, porque foi de seu
instituto na França, que veio para o Brasil; o Prof. Huet,
um professor surdo, que, a convite de Dom ‘Pedra II; trouxe este “método
combinado", criado por I'Epee, para trabalhar
com os surdos do Brasil.
Em
1857, foi fundada a primeira escola para surdos no Brasil, o Instituto dos
Surdos-Mudos, hoje. Instituto Nacional da Educação de Surdos (INES). Foi a
partir deste instituto que surgiu, da mistura da Língua de Sinais Francesa,
trazida pelo Prof. Huet, com a língua de sinais
brasileira antiga, já usada pelos surdos das várias regiões do Brasil, a Língua
Brasileira de Sinais.
O
instituto de I'Eppe contribuiu, também, para o
desenvolvimento da Libras porque, em 1896, houve nesta escola um encontro
internacional que avaliou a decisão do Congresso Mundial de Professores de
surdos que tinha ocorrido em 1880, em Milão.
A
pedido do governo, viajou para a França, o professor do antigo Instituto, A. J.
de Moura e Silva, para avaliar aquela decisão de que todos os surdos deveriam
ser ensinados pelo "método oralista puro".
Moura e Silva concluiu em seu relatório que este método não podia servir a
todos os surdos.
Assim,
o antigo Instituto continuou como um centro de integração para o fortalecimento
do desenvolvimento da Libras, pois segundo Relatório do Diretor Dr. Tobias
Rabello Leite, de 1871, esta escola já possuía alunos vindos de várias partes
do país e após dezoito anos retornavam as cidades de origem levando com eles a
Libras.
P. 152
No
Mundo
Dos
surdos
Uma Breve Retrospectiva da Educação de Surdos no Brasil (II) [nota1]
Dependendo
da metodologia adotada, as escolas podem ser um dos fatores de integração ou
desintegração das comunidades surdas, ou seja, se uma escola rejeita a língua
de sinais, as crianças surdas que estudam nesta escola não vão conhecer a
comunidade surda de sua cidade e, conseqüentemente,
não aprenderão uma língua de sinais ou poderão se interagir com os surdos de
sua cidade somente após a adolescência.
A
partir do Congresso em Milão, em 1880, a filosofia educacional começou a mudar
na Europa e, conseqüentemente, em todo mundo. O
método combinado, que utilizava tanto sinais como o treinamento em língua oral,
foi substituído em muitas escolas pelo método oral puro, o oralismo.
Os
professores surdos já existentes nas escolas naquela época, foram afastados, e
os alunos desestimulados e até proibidos de usarem as línguas de sinais de seus
países, tanto dentro quanto fora da sala de aula. Era comum a prática de
amarrar as mãos das crianças para impedi-las de fazer sinais. Isso aconteceu
também no Brasil. Mas, apesar dessas repressões, as línguas de sinais
continuaram sendo as línguas preferidas das comunidades Surdas por serem a
forma mais natural delas se comunicarem.
Hoje,
há escolas aqui no Brasil que, mesmo ainda sem uma proposta bilíngue, têm se
tornado fator de integração da cultura surda brasileira porque as crianças,
jovens e adultos se comunicam em Libras, e muitos professores destas escolas já
sabem ou estão aprendendo esta língua com instrutores surdos.
Por
outro lado, várias escolas, em cidades ou estados que não possuem associação de
surdos, trabalham ainda somente com uma metodologia oralista
e as crianças surdas destas escolas desenvolvem um dialeto entre elas para uma
comunicação mínima, mas estas ficam totalmente excluídas da Cultura Surda
brasileira e a maioria não tem um bom rendimento escolar.
Devido
ainda a esta metodologia oralista, há alguns surdos
que, rejeitando a Cultura Surda e conseqüentemente a
Libras, só querem utilizar a língua portuguesa, e há muitos surdos que, embora
queiram se comunicar com outros surdos em Libras, devido ao fato de terem se
integrado à Cultura Surda tardiamente, usam, não a Libras, mas um
bimodalíssimo, ou seja, sinalizam e falam simultaneamente, como os ouvintes
quando começam a aprender alguma língua de sinais.
Pelo
não domínio da Libras, muitos surdos, quando estão em uma situação (eventos
acadêmicos, políticos, jurídicos, etc.) que exigiria intérpretes de Libras para
melhor compreensão, não conseguem entender nem a língua portuguesa nem a
Libras, ficando marginalizados, sem poder ter uma participação efetiva.
Mas
se, ao contrário desta situação, houver uma valorização desta língua e, nas
escolas, tanto professores como alunos a utilizarem em todas as circunstâncias,
poderá haver uma participação efetiva de surdos adultos e dos alunos.
Aqui
.no Brasil, há mais de cem anos atrás, a primeira escola para surdos valorizava
a Libras, que era utilizada pelos alunos naquela época. Este respeito à Libras
propiciou o surgimento da primeira
P. 153
pesquisa
sobre esta língua, que foi publicada em um livro que, através de desenhos e
explicação destes, mostrava sinais mais usados pela comunidade surda do Rio de
Janeiro.
Este
livro, Iconografia dos Signaes dos Surdos-Mudos,
publicado em 1875, foi feito por um ex-aluno do Instituto de Surdos-Mudos, Flausino José da Gama que, ao completar dezoito anos, foi
contratado por esta escola para ser um Repetidor, ensinado aos seus colegas, em
Libras, os conteúdos das disciplinas, segundo o Relatório do Diretor, Tobias
Rabello Leite, de 1871[Nota2].
Embora
nos primeiros Relatórios sobre as primeiras turmas deste Instituto, feitos pelo
diretor a partir de 1869, constem nomes de alunas, em número reduzido,
posteriormente, durante muitos anos, este instituto se tornou uma escola só
para meninos, e meninos livres, ou seja, que não fossem filhos de escravos ou
de índios. Os então educadores consideravam que as meninas surdas, por serem
tranquilas e estarem submissas às famílias, não necessitavam de escola, o que
seria vantajoso para o governo porque não iria ter gastos para repasse de
recursos financeiros na educação para elas.
Com
o passar dos anos, outras escolas somente para crianças surdas foram surgindo.
Em 1923, foi fundado o instituto Santa Terezinha, escola particular, em São
Paulo, somente para meninas. Em 1957, foi fundada a Escola de Surdos em Vitória
no Espírito Santo. Mais recentemente, 1954, outra iniciativa privada, com verba
de outros países, foi fundada a Escola Concórdia, em Porto Alegre. Atualmente
há muitas escolas municipais como, por exemplo, a Escola Rompendo o Silêncio,
em Rezende no Rio de Janeiro, a Escola Municipal Ann Sullivan,
em São Caetano do Sul e a Escola Hellen Keller, em Caxias do Sul, uma escola
somente para surdos que vem implementando uma proposta bilíngüe
para a educação dos surdos, ou seja: aquisição da Libras e aprendizado, com
metodologia apropriada, da língua portuguesa e da língua de sinais brasileira.
Como
em outros países, os surdos vêm lutando para terem escolas para surdos porque
acreditam que através de um ensino que atenda eficazmente suas necessidades lingüísticas e culturais, eles poderão se integrar e estar
em condições de igualdade com os ouvintes quando disputarem, em concurso, uma
vaga para universidades ou empregos.
Uma
política educacional que leve em conta a realidade e tradição dos surdos no
Brasil poderá reverter o atual quadro de insatisfação, em relação à qualidade
da educação para surdos, que prevalece nas comunidades surdas.
P. 176
Aquisição de língua de sinais por crianças surdas
Há
algumas décadas que, nos Estados Unidos, pesquisadores vêm desenvolvendo
pesquisas sobre a língua de sinais americana (ASL) e sobre sua aquisição por
crianças.
Todas
estas pesquisas têm como sujeitos, crianças surdas, filhas de pais surdos,
portanto, a aquisição da ASL se dá como primeira língua (L1), mas, além destas
pesquisas, há outras que estão trabalhando também com crianças surdas, filhas
de pais ouvintes e com crianças ouvintes, filhas de pais surdos. Outras
pesquisas, ainda, trabalharam com crianças surdas filhas de pais ouvintes que,
devido ao fato de não serem expostas à ASL, desenvolvem sistemas de comunicação
gestual inventados.
Destas
pesquisas pode-se destacar que o processo de aquisição da ASL é igual ao
processo de aquisição de línguas orais-auditivas, ou seja, obedecendo a
maturação da criança, que vai internalizando a língua a partir do mais simples
para o mais complexo, há as seguintes fases:
Primeira
fase: há um período inicial que se assemelha ao balbucio das crianças ouvintes,
nesta fase a criança produz seqüências de gestos que
fonologicamente se assemelham aos sinais, mas não são reconhecidos como tal,
são somente movimentos das mãos com algumas formas.
Segunda
fase - Frase de uma palavra: a criança surda começa a nomear as coisas, aprende
a unir o sinal ao objeto, produzindo suas primeiras palavras. Como as crianças
ouvintes, que ainda não pronunciam corretamente as palavras nesta fase, as
crianças surdas também fazem os sinais com erros nos parâmetros, por exemplo,
podem trocar a configuração das mãos ou o ponto de articulação, mas o adulto
compreende que ela produziu um sinal na língua.
Nesta
fase, são produzidos dois tipos de sinais:
a)
os sinais congelados: são os mesmos sinais dos adultos, mas sem flexão de
número, ou concordância verbal ou aspectos.
b)
apontar não-linguístico: aos dez meses, uma criança surda pode apontar para si
e para os outros. Mas, os pontos para pessoas desaparecem completamente da
produção linguística da criança surda aos doze a dezoito meses e só reaparecem
depois deste tempo, entre dois a três anos. Talvez neste período haja a
passagem do apontar não-linguístico para o apontar linguístico, ou seja, a
utilização dos pronomes de maneira consciente e não simplesmente um apontar
para algo;
Terceira
fase: frase de duas palavras: a partir dos dois anos e meio, a criança surda
começa a produzir frases de duas palavras, iniciando sua sintaxe, mas ainda as
palavras são usadas sem flexão e concordância, a ordem das palavras constituirá
sua primeira sintaxe.
A
partir desta fase, a criança surda começa a adquirir a morfologia de uma língua
de sinais, a aquisição de subsistemas morfológicos mais complexos continua até
aos 5 anos, quando também já produzirá frases gramaticais maiores e mais
complexas. O primeiro subsistema mais complexo que adquire é a concordância
Verbal.
Como
se pôde observar, a partir de alguns aspectos, o processo de aprendizagem de
uma língua de sinais é semelhante ao processo de aquisição de qualquer língua e
quanto mais cedo uma criança surda entrar nesse processo, mais natural ele
será.
Página notas de rodapé
Nota
1, página 130: Texto produzido em co-autoria com Emeli Marques.
Nota
2, página 130: Cratylus de Plato,
discípulo e cronista, 368 a. C.
Nota
1, página 152: Texto em co-autoria com a professora Emeli Marques Leite.
Nota
2, página 153: Ver estudo sobre o trabalho de Flausino
em Felipe (1998 - Volume II).